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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ESCOLA SUPERIOR NÁUTICA INFANTE D. HENRIQUE COM OFERTA VARIADA DE CURSOS

A ENIDH é um estabelecimento de ensino superior politécnico público situado em Paço de Arcos que tem por missão formar Oficiais para a Marinha Mercante e quadros superiores para os sectores marítimo e portuário, entre outros, nas áreas de especialização dos cursos ministrados.A ENIDH tem-se afirmado como escola de referência na formação de quadros superiores para o sector marítimo-portuário e orgulha-se de ter uma situação de plena empregabilidade entre os diplomados de todos os cursos de licenciatura.
Ao nível do ensino superior de 1.º Ciclo, a ENIDH tem em funcionamento, devidamente adaptadas ao Processo de Bolonha, as seguintes Licenciaturas:

Pilotagem
Gestão de Transportes e Logística

No ano lectivo de 2009/2010, a ENIDH irá abrir cursos de 2.º Ciclo relativamente a todas as suas áreas de ensino:

Mestrado em Pilotagem (+info)
Mestrado em Gestão Portuária (+info)

As candidaturas podem ser apresentadas até ao dia 14 de Setembro de 2009 (2ª fase), nos Serviços Académicos da ENIDH.
Mais informação sobre o novo curso poderá ser consultada na página electrónica da ENIDH: http://www.enautica.pt/.

Licenciatura em Pilotagem

O Curso de Pilotagem assenta fundamentalmente, hoje em dia, em duas ideias básicas que justificam a sua existência:
1) A necessidade de formação específica conducente a certificação, exigida pela Organização Marítima Internacional (IMO) através da Convenção Internacional sobre Normas de Formação, de Certificação e Serviço de Quartos para os Marítimos (STCW 78/95), para o exercício das funções de Comandante, Imediato e Oficial Chefe de Quarto de Navegação.
2) A necessidade de formação pluridisciplinar, actualizada e especializada dos Capitães e Oficiais-Pilotos que consiga responder à complexidade das funções exercidas ao nível das chefias.

Na sequência destas duas ideias, constituem objectivos prioritários do Curso:1) Dotar a Marinha Mercante nacional de oficiais de pilotagem habilitados que garantam níveis de competência técnico-profissional compatíveis com as necessidades decorrentes de uma expedição marítima.
2) Dar resposta ao s desenvolvimentos registados em matéria de tecnologia e segurança marítimas e à exigência de actualização e especialização do Ensino Náutico.
3) Responder às exigências decorrentes do desenvolvimento do comércio internacional, em que o transporte marítimo e os navios constituem o modo e o meio dominantes do transporte internacional de mercadorias.
4) Cumprir com os requisitos internacionais em relação aos quais Portugal está obrigado pelo Convenção STCW 78/95.

Licenciatura em Engenharia de Máquinas Marítimas

O primeiro ciclo de formação (licenciatura) visa ministrar ao aluno uma sólida formação teórica e prática no âmbito da formação de base, formação em ciências de engenharia, formação da especialidade e formação complementar, compatíveis com a formação de licenciado. Satisfaz os requisitos obrigatórios para certificação de oficiais de máquinas, chefes de quarto numa casa da máquina em condução desatendida ou oficiais de máquinas em serviço numa casa da máquina em condução desatendida, conforme previsto no parágrafo 2.3 da regra III/1 da Convenção IMO-STCW78 (emendas de 95), bem como possibilita a obtenção dos respectivos certificados de competência.
Uma das preocupações desta primeira fase de formação, consiste em ministrar aos alunos conhecimentos práticos que possibilitem uma maior capacidade de intervenção nas exigentes condições de trabalho a bordo.
Destacam-se, neste caso, as disciplinas de Prática Oficinal que habilitam o aluno à execução de peças maquinadas, bem como a reparações envolvendo soldadura oxi-acetilénica e por arco eléctrico. Outras componentes práticas importantes são ministradas no âmbito da condução de máquinas principais e auxiliares, efectuadas com o recurso a equipamentos laboratoriais e simuladores, nomeadamente o simulador de uma instalação propulsora Diesel de navio petroleiro.
O segundo ciclo de formação (mestrado) tem por objectivo aprofundar os conhecimentos de base já adquiridos pelo aluno e ministra conhecimentos especializados nas áreas de mecânica aplicada, instalações térmicas, controlo de sistemas e gestão, direito marítimo, regulamentos e certificação de navios. Satisfaz os requisitos obrigatórios para certificação de chefes de máquinas e segundos oficiais de máquinas de navios cuja máquina principal tenha uma potência superior a 3000 kW, conforme previsto no parágrafo 2.2 da regra III/2 da convenção IMO-STCW78, emendas 95, bem como possibilita a obtenção dos respectivos certificados de competência.

Licenciatura em Engenharia de Sistemas Electrónicos Marítimos

O curso de Engenharia de Sistemas Electrónicos Marítimos tem por objectivo formar profissionais nas áreas da electrónica, automação e controlo e telecomunicações. O primeiro ciclo, com a duração de três anos, confere o grau de licenciado, destina-se a formar técnicos de formação superior para as actividades de manutenção, instalação e projecto de sistemas electrónicos, informáticos e de telecomunicações, no sector dos transportes marítimos e na indústria em geral. O segundo ciclo (mestrado aguarda registo), com a duração de dois anos, confere o grau de mestre.
Além das características anteriores, o curso de Engenharia de Sistemas Electrónicos Marítimos tem ainda por finalidade formar profissionais capazes de intervir na análise, especificação, projecto, industrialização, comercialização e utilização de produtos e serviços que utilizam a electricidade, a electrónica, as telecomunicações e as novas tecnologias da informação. Os diplomados com o Curso de Engenharia de Sistemas Electrónicos Marítimos são muito procurados pela indústria em geral, dada a sua formação e experiência polivalente. Poderá afirmar-se que se trata de um curso de engenharia que engloba um sistema integrado de várias áreas tecnológicas, sendo bem conhecido o prestígio e a competência dos seus diplomados, que, quando inseridos no mercado de trabalho, são bem classificados.

Licenciatura em Gestão Portuária

O Curso de Gestão Portuária é um novo curso criado pela ENIDH no âmbito do Processo de Bolonha (licenciatura de 3 anos), na área do "port management", procurando dotar os alunos de competências indispensáveis para a gestão de negócios na interface portuária, perspectivada enquanto parte integrante de um sistema logístico mais vasto. Procura-se desta forma aumentar a eficiência a nível portuário, factor decisivo para aumentar a competitividade nacional.
É o único curso a nível nacional que procura a especialização nesta área vital da Economia do Mar, assumindo-se como uma aposta inovadora no panorama do Ensino Superior a nível nacional, na vanguarda dos mais recentes processos educativos (adequado ao Processo de Bolonha - Licenciatura 3 anos). O Curso de Gestão Portuária apresenta alguns aspectos pioneiros a nível nacional como o ensino de algumas disciplinas em língua Inglesa (na lógica da criação de um Espaço Único Europeu de Ensino Superior), tutoria individualizada, acompanhamento de projectos de investigação, cursos de recuperação de alunos com dificuldades (matemática e inglês), programas individuais de recuperação, etc.

Licenciatura em Gestão de Transportes e Logística

O Curso de Gestão de Transportes e Logística é uma aposta inovadora no panorama da logística nacional, na vanguarda dos mais recentes processos educativos (adequado ao Processo de Bolonha - Licenciatura 3 anos), procurando criar profissionais altamente qualificados para o sector dos transportes em geral e, para o sector marítimo e rodoviário de mercadorias em particular.
Perante um novo paradigma de ensino preconizado pela Declaração de Bolonha, baseado na "mudança de um sistema de ensino baseado na transmissão de conhecimentos para um novo sistema que privilegia o desenvolvimento de competências académicas, instrumentais, operacionais e comportamentais", o Curso de Gestão de Transportes e Logística apresenta alguns aspectos pioneiros a nível nacional como o ensino de algumas disciplinas em língua Inglesa (na lógica da criação de um Espaço Único Europeu de Ensino Superior), tutoria individualizada, acompanhamento de projectos de investigação, cursos de recuperação de alunos com dificuldades (matemática e inglês), programas individuais de recuperação, etc.
O SABER NÃO OCUPA ESPAÇO

quarta-feira, 27 de maio de 2009

COLUNA DE OPINIÃO - ESCOLA SUPERIOR NÁUTICA INFANTE D.HENRIQUE


Fernando Cruz Gonçalves
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Numa altura em que a maior parte das Instituições de Ensino Superior se debate com um problema “crónico” de falta de alunos, por vezes interrogo-me sobre qual a razão pela qual a ENIDH – Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, nos últimos três anos mais do que duplicou o número dos seus alunos bem como das suas ofertas formativas. Tento associar essa realidade a um “renascimento” do interesse dos nossos jovens pelas profissões marítimas e portuárias e que o nosso país finalmente percebeu que só teve sucesso quando se voltou para o mar. Não sou ingénuo, e não posso deixar de reconhecer que o negócio do shipping viveu nos últimos cinco anos um período de anormal actividade económica (o melhor dos últimos cinquenta anos), em que o aumento do Comércio Internacional se traduziu num significativo aumento da procura por serviços de Transporte Marítimo. O sobredimensionamento da procura face à oferta disponível (em particular no mercado da carga contentorizada e dos graneis sólidos), determinou taxas de frete mais aliciantes e, consequentemente, melhores condições salariais e de vida a bordo dos navios.Mas não me parece ser esta a razão de fundo associada ao renascimento do interesse dos jovens pelas profissões marítimas. Seria redutor e insustentável, numa altura em que nos deparamos com uma das maiores crises económicas à escala mundial que tem atingido fortemente o negócio do shipping.Após alguma reflexão parece-me que as principais razões que estão associadas a este fenómeno são as seguintes:a) A Escola Superior Náutica Infante D. Henrique foi uma das Instituições precursoras da aplicação dos princípios associados à Declaração de Bolonha. A mensagem subjacente à mudança de um paradigma de ensino assente na transmissão de conhecimentos para um ensino focado no desenvolvimento de competências foi perfeitamente assimilada na ENIDH. A uniformização de conteúdos à escala internacional, a aposta num ensino participado em que os alunos são estimulados a desenvolver competências académicas, comportamentais e operacionais são um dos factores de sucesso da nossa Instituição. b) A aposta no ensino personalizado, assente nas especificidades individuais de cada aluno são um dos traços característicos da ENIDH. O objectivo é a formação integral do aluno numa perspectiva não apenas académica mas também a nível de carácter, valores e princípios. Cada aluno não é um número, mas sim uma personalidade única, parte integrante de um projecto comum de melhoria do sector marítimo-portuário em particular e, da sociedade em geral.c) Enquanto Instituição de Ensino Superior Politécnico, percebemos que a nossa aposta tem de passar por um forte ênfase no “saber fazer”. Os nossos alunos têm que ser um “valor acrescentado” imediato nas empresas para as quais vão trabalhar. Só assim conseguimos, a curto prazo, aumentar a produtividade e a competitividade nacionais. Mas atenção, o ênfase no “saber fazer” não é conquistado em detrimento da vertente académica. É essa vertente que permite aumentar a elasticidade mental dos nossos alunos e a sua capacidade de dar resposta a novos desafios. Numa envolvente contextual em permanente mutação este factor é determinante. d) A clara percepção que o sector marítimo-portuário é parte integrante de uma realidade muito mais vasta que engloba cadeias de abastecimento de dimensão global. Realidades emergentes como a aplicação dos princípios associados ao supply chain management, integração logística e integração modal, são temas familiares a todos os nossos alunos. Não deixa de ser curioso que o modelo seguido pela ENIDH, que evoluiu de uma Instituição meramente vocacionada para a formação de Oficiais da Marinha Mercante para um modelo mais abrangente de um autêntico Instituto de Transportes e Logística esteja a ser “copiado” à escala internacional. A tradicional Maritime Academy está em declínio e a ser substituída à escala internacional por modelos semelhantes ao da ENIDH.e) A consciencialização por parte dos jovens que os sectores tradicionais estão “saturados” e que mais vale apostar em sectores que apresentam um forte desenvolvimento com elevados níveis de empregabilidade. O sector dos transportes e da logística tem crescido a ritmos superiores a dois dígitos anuais e a ENIDH “orgulha-se” de apresentar um nível de empregabilidade de 100% entre os seus jovens recém-licenciados. Enquanto Professor da ENIDH, tenho consciência que a minha visão pode ser entendida como “parcial”. Entendo perfeitamente esse raciocínio e sei que ainda temos alguns aspectos a melhorar no seio da nossa Instituição. No ensino e formação dos nossos jovens nunca nos poderemos dar como satisfeitos enquanto não alcançarmos a excelência.Alguns mais cépticos argumentarão que a aposta na formação para o sector marítimo não faz sentido quando praticamente não existe Marinha Mercante Nacional. Então onde é que estão os milhares de Oficiais da Marinha Mercante que foram sendo licenciados pela nossa Instituição? No desemprego? Não, são oficiais altamente qualificados em tripulações nacionais e internacionais, que lutam “dia-a-dia” com a concorrência de tripulações substandard. O nosso mercado é por natureza o mercado mais global à escala mundial e os Oficiais da Marinha Mercante Portuguesa são reconhecidos internacionalmente como estando na “linha da frente” em termos de qualificação e formação. Muitos outros, após um período mais ou menos prolongado de embarque, abraçaram aliciantes profissões em terra associadas ao sector marítimo-portuário. Importa igualmente salientar que um navio é uma instalação industrial altamente complexa. No mar, quando muitas vidas humanas dependem de nós, não se pode chamar a assistência técnica como se faz na generalidade das empresas em terra quando surgem problemas nos equipamentos. São os tripulantes que os têm de resolver. Isto desenvolve competências e conhecimentos para as suas futuras profissões terrestres. Questões como o respeito pela hierarquia, a exigência do trabalho ou a necessidade de estar disponível a qualquer hora (o conceito de fim-de-semana ou de horário fixo semanal não existe no mar) fazem destes profissionais um valor acrescentado para qualquer empresa.Em suma, parece-me que estamos num “ponto de viragem”. É indiscutível que as questões do mar voltaram a estar na “agenda” dos nossos políticos e governantes. Questões como a importância da constituição de um cluster marítimo-portuário, a economia do mar, o aproveitamento da energia das ondas, a aposta nos navios de cruzeiro e na náutica de recreio, são pilares fundamentais para o futuro da economia nacional. Mas é necessário assegurar a sustentabilidade do modelo de relançamento da imagem do sector marítimo-portuário para não se voltarem a repetir erros cometidos no passado. E isso é um projecto de médio-longo prazo que envolve uma profunda mudança cultural. Hoje mesmo, alunos e professores da ENIDH estarão num jardim-de-infância a explicar a crianças a importância económica deste sector. Os navios, portos e contentores têm que passar a ser vistos como “amigos” do desenvolvimento sustentável e não como entrave ao mesmo. Estou certo que todos os leitores da Revista de Marinha contribuirão na sua medida para a prossecução deste desiderato. Os principais beneficiados serão as gerações vindouras, os nossos filhos e netos. Está na altura de definirmos o nosso legado.Finalmente, para todos os que decidirem “embarcar” neste aliciante e promissor sector, não poderíamos deixar de dizer - Sejam bem-vindos ao seio da grande “Família” da ENIDH – Escola Superior Náutica Infante D. Henrique. Contamos com o vosso trabalho, iniciativa e dedicação. Juntos podemos construir o vosso futuro.
Fernando Cruz Gonçalves - Professor da ENIDH
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Caro Fernando, parabéns pelo excelente artigo.

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